Dieta e recuperação após a cirurgia de refluxo
Refluxo, Esofagite e Câncer de Esôfago

Dieta e recuperação após a cirurgia de refluxo: o que comer e por quanto tempo

Veja alguns cuidados que ajudam a engolir melhor e como passar pela recuperação com mais conforto com uma dieta após a cirurgia de refluxo adequada.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoLeitura8 min
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A dieta após a cirurgia de refluxo passa por algumas mudanças até que a pessoa consiga voltar às refeições habituais.

Nos primeiros dias, líquidos e alimentos macios ganham espaço. Pão, carnes mais secas e comidas difíceis de mastigar geralmente ficam para uma etapa posterior.

Esse cuidado tem um motivo. A região operada fica sensível e pode apresentar inchaço nos primeiros dias. Ao mesmo tempo, o organismo precisa se adaptar ao novo funcionamento da passagem entre o esôfago e o estômago.

Também podem surgir sensação de alimento descendo devagar, estufamento, aumento dos gases e dificuldade para arrotar.

Boa parte dessas queixas melhora à medida que a recuperação avança.

Por que a alimentação muda depois da cirurgia de refluxo?

Na cirurgia antirrefluxo, o médico cria um reforço na região onde o esôfago encontra o estômago. A fundoplicatura é uma das técnicas utilizadas para fazer esse controle.

Depois do procedimento, a área fica mais apertada e inchada temporariamente. Por isso, engolir pode exigir um pouco mais de cuidado durante as primeiras semanas.

Comer rapidamente ou engolir pedaços grandes pode provocar:

  • Sensação de comida parada;
  • Pressão no peito;
  • Desconforto após as refeições;
  • Náusea;
  • Regurgitação;
  • Dificuldade para terminar o prato.

A progressão da dieta acompanha a recuperação dos tecidos.

O objetivo não é apenas evitar dor, mas permitir que a pessoa volte gradualmente a mastigar e engolir alimentos de diferentes consistências.

Como funciona a dieta após a cirurgia de refluxo?

Não existe um calendário idêntico para todos os pacientes.

O cirurgião pode modificar o tempo de cada fase conforme a técnica utilizada, a presença de hérnia de hiato, o tamanho da correção realizada e a evolução durante os primeiros dias.

De maneira geral, a alimentação passa por três etapas principais:

  1. Dieta líquida.
  2. Alimentação pastosa ou bem macia.
  3. Retorno progressivo à alimentação habitual.

A mudança de uma fase para outra deve ocorrer de acordo com a orientação da equipe que acompanha o paciente.

O que comer na fase líquida?

A dieta líquida aparece logo no começo da recuperação. Em muitos casos, ela é iniciada ainda no hospital ou pouco depois da liberação médica.

Nesse momento, é comum priorizar líquidos que sejam fáceis de engolir e não exijam mastigação.

Podem fazer parte desta fase, conforme a orientação recebida:

  • Água;
  • Água de coco;
  • Caldos coados;
  • Sopas bem líquidas;
  • Leite, se houver boa tolerância;
  • Bebidas nutricionais indicadas pela equipe;
  • Sucos sem pedaços ou bagaço.

O mais importante é tomar pequenos volumes de cada vez.

Beber um copo inteiro rapidamente pode aumentar a pressão dentro do estômago e favorecer desconforto, náusea ou sensação de estufamento.

Pequenos goles distribuídos ao longo do dia são mais bem tolerados.

Quanto tempo dura a alimentação líquida?

Esse período varia bastante.

Algumas equipes mantêm os líquidos por poucos dias. Outras orientam uma progressão mais lenta, principalmente quando houve uma correção maior da hérnia de hiato ou quando o paciente apresenta mais dificuldade para engolir.

Não é indicado avançar a dieta por conta própria apenas porque a dor diminuiu.

Por dentro, a região ainda está cicatrizando mesmo quando as incisões externas parecem estar bem.

Quando entram os alimentos pastosos?

Depois da fase líquida, a alimentação ganha consistência.

O paciente passa a consumir preparações macias, úmidas e fáceis de mastigar.

O objetivo é fazer o esôfago e o estômago retomarem o contato com alimentos sólidos sem exigir muito esforço.

Entre os alimentos que podem ser liberados estão:

  • Purês;
  • Sopas cremosas;
  • Legumes bem cozidos e amassados;
  • Arroz bem macio;
  • Ovos mexidos;
  • Frutas amassadas;
  • Iogurte;
  • Mingaus;
  • Peixe macio e bem desfiado.

A mastigação merece atenção especial nessa fase.

Mesmo uma comida considerada macia pode incomodar quando é ingerida em pedaços grandes.

Uma boa referência é mastigar até que o alimento esteja quase desmanchando antes de engolir.

Por que pão deve ser evitado no começo?

O pão pode parecer macio, porém, sua textura muda bastante quando entra em contato com a saliva.

Ele pode formar uma massa mais compacta durante a mastigação, que pode dificultar a passagem por uma região que ainda está inchada depois da cirurgia.

O paciente pode sentir:

  • Pressão atrás do peito;
  • Impressão de alimento preso;
  • Necessidade de engolir várias vezes;
  • Desconforto logo após comer.

Pães secos ou com miolo mais denso são mais difíceis nessa fase.

Quando houver liberação para voltar a consumi-los, é melhor começar com pequenas quantidades, mastigando com calma.

E por que a carne também pode ser difícil?

Carnes secas, fibrosas ou pouco mastigadas exigem maior trabalho durante a deglutição.

Um pedaço maior pode descer com dificuldade e causar a sensação de que ficou parado antes de chegar ao estômago.

Nos primeiros dias de progressão da alimentação, é mais confortável consumir proteínas com textura macia.

Peixe bem cozido, carne moída úmida e preparações desfiadas podem ser melhor toleradas quando já houver liberação médica para sólidos.

Carnes mais firmes podem voltar gradualmente.

O ponto principal é não ter pressa para testar uma refeição pesada apenas porque outros alimentos já estão descendo bem.

Quando posso voltar a comer normalmente?

O retorno não acontece de uma hora para outra.

A alimentação vai ficando mais próxima da rotina conforme a pessoa consegue engolir sem dor, pressão ou sensação frequente de alimento parado.

Para muitos pacientes, esse avanço ocupa várias semanas.

Nas primeiras refeições com alimentos mais firmes, algumas atitudes ajudam bastante:

  1. Fazer porções menores.
  2. Comer devagar.
  3. Mastigar cada pedaço por mais tempo.
  4. Evitar grandes bocados.
  5. Parar ao perceber sensação de estômago cheio.
  6. Testar um alimento novo em pequena quantidade.

A tolerância pode mudar de um alimento para outro.

Uma comida que incomoda em determinada semana pode ser consumida normalmente algum tempo depois.

Por que aparecem tantos gases depois da cirurgia?

O aumento dos gases é uma reclamação relativamente comum após a cirurgia antirrefluxo.

Antes do procedimento, parte do ar engolido ao falar, comer ou beber podia sair com facilidade por meio do arroto.

Depois da cirurgia, esse movimento pode ficar mais difícil.

O ar permanece no estômago por mais tempo e segue para o intestino, onde pode causar:

  • Estufamento;
  • Pressão abdominal;
  • Flatulência;
  • Sensação de barriga cheia após pouca comida.

Esse desconforto tende a melhorar com a adaptação do organismo.

Comer devagar também faz diferença, porque reduz a quantidade de ar engolida durante as refeições.

É normal ter dificuldade para arrotar?

Sim, pode acontecer.

O mecanismo criado para dificultar a volta do conteúdo do estômago também pode reduzir a facilidade de o ar subir em direção à boca.

Algumas pessoas ainda conseguem arrotar, mas percebem que ficou menos frequente. Outras sentem dificuldade maior, principalmente nas primeiras semanas.

Por essa razão, certos hábitos podem piorar bastante o estufamento.

Vale reduzir ou evitar, durante a recuperação:

  • Refrigerantes;
  • Água com gás;
  • Bebidas consumidas com canudo;
  • Chicletes;
  • Comer falando o tempo todo;
  • Refeições muito rápidas.

Esses hábitos favorecem a entrada de ar no estômago.

Refrigerante pode piorar o desconforto?

Pode.

A bebida gaseificada libera gás dentro do estômago. Em uma pessoa que ainda apresenta dificuldade para arrotar, esse gás pode ficar preso e aumentar a distensão.

O resultado pode ser uma sensação desconfortável de pressão ou barriga muito cheia.

A liberação de refrigerantes e outras bebidas gaseificadas deve seguir a orientação do cirurgião.

Mesmo depois da recuperação inicial, alguns pacientes percebem que toleram volumes menores do que antes da operação.

Preciso comer pouco durante a recuperação?

Nos primeiros dias, pequenas refeições são mais confortáveis.

Comer um prato grande de uma só vez pode gerar pressão e sensação de empachamento.

Pode ser mais fácil dividir a alimentação ao longo do dia. A quantidade pode ser aumentada aos poucos conforme a tolerância melhora.

Com o passar das semanas, muitas pessoas voltam a uma rotina bem próxima daquela que tinham antes da cirurgia.

O que pode atrasar a recuperação?

A maior parte dos pacientes apresenta evolução progressiva, mas alguns sinais merecem avaliação.

Procure orientação médica se aparecer:

  • Dificuldade crescente para engolir;
  • Incapacidade de ingerir líquidos;
  • Vômitos repetidos;
  • Febre;
  • Dor abdominal forte ou piorando;
  • Falta de ar;
  • Sangramento;
  • Distensão abdominal intensa;
  • Sinais de desidratação.

Alguma dificuldade para engolir alimentos mais consistentes pode aparecer no início.

O que merece atenção é quando o quadro piora, impede a hidratação ou não apresenta melhora com o passar do tempo.

Pequenos cuidados fazem diferença nas primeiras semanas

A recuperação fica mais simples quando o paciente respeita a velocidade do próprio organismo.

Não é necessário testar diariamente até onde consegue comer.

É melhor avançar a consistência da alimentação seguindo as recomendações recebidas e observando como o corpo reage.

Durante esse período, vale lembrar:

  • Coma sem pressa;
  • Faça bocados pequenos;
  • Mastigue bastante;
  • Evite beber grandes volumes de uma vez;
  • Não force alimentos que estão causando desconforto;
  • Reduza bebidas com gás;
  • Respeite a liberação para exercícios;
  • Mantenha as consultas de acompanhamento.

Sentir que a alimentação ainda não voltou totalmente ao normal nas primeiras semanas não significa que a cirurgia tenha dado errado.

Existe um período de adaptação.

O acompanhamento com o cirurgião ajuda a diferenciar sintomas esperados da recuperação daqueles que precisam ser investigados.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Quanto tempo preciso fazer dieta depois da cirurgia de refluxo?

A alimentação normalmente progride durante algumas semanas, passando de líquidos para preparações macias antes da volta aos sólidos. O tempo exato depende da técnica cirúrgica e da evolução de cada paciente.

02

O que não pode comer depois da cirurgia de refluxo?

No começo, alimentos secos, duros, fibrosos ou que formam pedaços difíceis de engolir podem causar desconforto. Pão e carnes mais firmes geralmente são introduzidos apenas quando a deglutição já está melhor.

03

A dieta após cirurgia de refluxo precisa ser líquida por quanto tempo?

A fase líquida pode durar poucos dias ou mais, dependendo da orientação da equipe responsável. O paciente não deve mudar a consistência dos alimentos antes da liberação recebida.

04

É normal não conseguir arrotar depois da cirurgia?

Pode acontecer. A cirurgia dificulta o retorno do conteúdo do estômago e também pode reduzir a passagem do ar para cima. Essa mudança explica parte do estufamento e do aumento dos gases.

05

Quanto tempo depois da cirurgia posso voltar para a academia?

Atividades leves, como caminhadas, podem ser liberadas cedo em muitos casos. Musculação, corrida e exercícios com maior esforço abdominal exigem avaliação do cirurgião antes da retomada.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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