Refluxo pode voltar depois da cirurgia
Refluxo, Esofagite e Câncer de Esôfago

Refluxo pode voltar depois da cirurgia?

Sintomas após a fundoplicatura nem sempre significam falha da operação. Saiba quando investigar e se o refluxo pode voltar depois da cirurgia.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoLeitura7 min
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Você operou o refluxo, melhorou e, algum tempo depois, a azia ou a regurgitação apareceu de novo. A primeira impressão é: a cirurgia soltou, mas nem é bem isso.

Sim, o refluxo pode voltar depois da cirurgia, inclusive anos mais tarde.

Só que uma queimação isolada, a sensação de líquido subindo ou um desconforto no peito não bastam para confirmar que a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) retornou.

Depois da fundoplicatura, queixas parecidas com as de antes da operação podem ter outras causas.

Pode haver uma mudança na anatomia da cirurgia, dificuldade na passagem do alimento, alteração da motilidade do esôfago ou um sintoma que se parece com refluxo sem que os exames confirmem a doença. Há um guia dedicado a azia e dor nas costas.

Quando a queixa persiste ou volta depois de um período de melhora, é essa diferença que precisa ser investigada.

O que a cirurgia de refluxo faz?

Na fundoplicatura, o cirurgião usa a parte superior do estômago para reforçar a região de transição entre o esôfago e o estômago.

Se houver hérnia de hiato, o reparo do hiato pode ser feito no mesmo procedimento.

A fundoplicatura de Nissen é uma técnica completa. Existem técnicas parciais, escolhidas conforme o caso e o planejamento cirúrgico.

A ideia é controlar o retorno do conteúdo gástrico e aliviar azia e regurgitação.

Os resultados podem se manter por muitos anos, mas a operação não significa que qualquer sintoma digestivo desaparecerá para sempre.

Por que o refluxo pode voltar depois da cirurgia?

Uma das explicações possíveis é uma mudança na anatomia da região operada. A investigação pode mostrar:

  • Retorno da hérnia de hiato;
  • Migração da fundoplicatura para o tórax;
  • Afrouxamento ou alteração da fundoplicatura;
  • Refluxo novamente confirmado nos exames;
  • Alteração da motilidade ou da passagem pelo esôfago.

Também existe o cenário em que a pessoa sente azia ou regurgitação, mas os exames não demonstram refluxo patológico.

Esse detalhe pesa na escolha do tratamento. Uma nova cirurgia não deve ser indicada apenas porque a queimação reapareceu.

Hérnia de hiato pode voltar após cirurgia?

Pode. A hérnia de hiato pode voltar depois da cirurgia e ser identificada em exames de imagem ou na endoscopia.

Esse achado, sozinho, não obriga o paciente a passar por outra operação.

Uma pequena recidiva pode causar pouca ou nenhuma queixa. Em outros casos aparecem regurgitação, azia, dor ou dificuldade para engolir.

Para quem pensa "fiz cirurgia de hérnia de hiato e continuo com refluxo", o sintoma não confirma que a hérnia voltou.

O médico precisa juntar o que a pessoa sente com a anatomia vista nos exames e o funcionamento do esôfago.

Fiz cirurgia de refluxo gastroesofágico e sinto dificuldade para comer: e agora?

Essa é uma queixa frequente no período de recuperação.

Nos primeiros meses, uma dificuldade leve para engolir pode ocorrer enquanto o organismo se adapta à nova anatomia.

Quando a pessoa ainda consegue ingerir líquidos e alimentos e percebe melhora progressiva, o quadro pode fazer parte da recuperação. Uma dificuldade persistente ou intensa merece investigação.

Algumas situações pedem atenção mais rápida:

  • Incapacidade de engolir líquidos ou a própria saliva;
  • Vômitos repetidos;
  • Dificuldade para comer que piora em vez de melhorar;
  • Perda de peso não planejada;
  • Dor forte associada à alimentação.

Nesses casos, não é adequado simplesmente insistir na dieta ou esperar por tempo indefinido.

O médico pode precisar avaliar se há estreitamento na região operada, alteração da posição da fundoplicatura, recorrência da hérnia ou outro problema que esteja dificultando a passagem do alimento.

Fiz cirurgia de refluxo e continuo com azia. Isso quer dizer que não deu certo?

Não necessariamente.

A sensação de azia pode reaparecer mesmo quando os exames não demonstram refluxo ácido anormal.

Estudos de longo prazo mostram, inclusive, que parte dos pacientes volta a usar medicamentos para acidez sem que todos apresentem recidiva objetiva da DRGE.

Por esse motivo, a pergunta "cirurgia de refluxo não deu certo, o que fazer?" não deve ser respondida apenas com base no sintoma.

É preciso descobrir se existe:

  • Refluxo novamente;
  • Inflamação do esôfago;
  • Alteração anatômica da fundoplicatura;
  • Recidiva da hérnia de hiato;
  • Dificuldade de esvaziamento ou de passagem;
  • Outro quadro capaz de causar sintomas semelhantes.

O tempo também dá pistas. Uma queixa que nunca desapareceu desde a operação não é investigada exatamente da mesma forma que uma azia que retorna depois de anos sem sintomas. Para aprofundar, veja médico de refluxo.

Quais exames podem ser pedidos quando os sintomas voltam?

A investigação é montada conforme a principal queixa, mas alguns exames são especialmente úteis depois de uma fundoplicatura.

A endoscopia permite avaliar o esôfago, procurar esofagite e observar aspectos da anatomia da região operada.

O estudo contrastado do esôfago e do estômago pode mostrar a passagem do alimento e alterações na posição da fundoplicatura ou da hérnia.

Quando a dúvida é se o refluxo realmente voltou, a monitorização do pH pode ser necessária.

Se uma nova cirurgia estiver sendo considerada, a manometria esofágica ajuda a estudar o funcionamento do esôfago e deve fazer parte da avaliação.

O exame que ganha mais peso depende da queixa. Azia, regurgitação e dificuldade para engolir levantam perguntas diferentes durante a investigação.

Remédio para refluxo depois da cirurgia significa falha da fundoplicatura?

Não.

Medicamentos que reduzem a produção de ácido, como os inibidores da bomba de prótons, podem ser usados em determinados pacientes que voltam a sentir azia depois da cirurgia.

O uso do medicamento, isoladamente, não confirma que a fundoplicatura falhou. O próprio sintoma de queimação também não faz esse diagnóstico.

Quando o tratamento é necessário por mais tempo ou quando a resposta é ruim, a causa precisa ser revisada.

O remédio reduz a acidez, no entanto, não corrige uma eventual alteração anatômica, como uma hérnia de hiato recorrente.

Também não é indicado suspender ou modificar uma medicação prescrita sem discutir o caso com o médico que acompanha o paciente.

Quando uma nova cirurgia pode ser considerada?

Uma reoperação pode ser discutida quando os exames encontram uma alteração que explica os sintomas e a queixa tem impacto relevante na vida do paciente.

É uma situação que pode acontecer diante de hérnia de hiato recorrente com sintomas, alteração da fundoplicatura ou refluxo confirmado que permanece mal controlado.

Antes de mexer novamente em uma região já operada, o cirurgião precisa saber como está a anatomia, como o esôfago funciona e qual problema a nova operação pretende corrigir.

Casos complexos ou com cirurgias anteriores exigem planejamento ainda mais individualizado.

O que pode ajudar no controle dos sintomas após a cirurgia?

Hábitos do dia a dia podem ajudar a controlar os sintomas de refluxo, mas não devem ser apresentados como garantia de que a hérnia ou a fundoplicatura não irão recorrer.

Dependendo do quadro, podem ser úteis:

  1. Manter o peso em uma faixa adequada, especialmente quando há excesso de peso.
  2. Evitar refeições nas duas ou três horas anteriores ao sono quando os sintomas aparecem à noite.
  3. Observar quais alimentos realmente funcionam como gatilho, em vez de cortar grupos alimentares sem necessidade.
  4. Evitar tabagismo.
  5. Elevar a cabeceira da cama quando existe refluxo noturno.

O acompanhamento serve para ajustar a alimentação durante a recuperação, revisar medicamentos e decidir se uma queixa nova precisa ser investigada.

Quando procurar avaliação depois da cirurgia de refluxo?

Uma azia isolada não significa que a operação fracassou. Já sintomas que persistem, retornam com frequência ou passam a limitar a alimentação merecem ser avaliados.

Procure atendimento com gastroenterologista para reavaliar o quadro principalmente se houver:

  • Dificuldade progressiva para engolir;
  • Regurgitação recorrente;
  • Perda de peso sem intenção;
  • Vômitos frequentes;
  • Retorno importante da azia após um período de melhora.

Para quem fez fundoplicatura ou correção de hérnia de hiato, o mais útil é descobrir o que está causando a queixa atual.

Só depois disso faz sentido decidir entre ajuste do tratamento clínico, acompanhamento ou nova abordagem cirúrgica.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Em quanto tempo o refluxo pode voltar depois da cirurgia?

Não existe um prazo único. Os sintomas podem reaparecer meses ou anos depois da fundoplicatura. O tempo transcorrido ajuda na investigação, mas não define sozinho se houve recidiva da DRGE ou alteração da cirurgia.

02

Tomar omeprazol depois da fundoplicatura significa que a cirurgia falhou?

Não. Algumas pessoas voltam a usar medicamentos para acidez e nem todas têm refluxo confirmado nos exames. Se o uso se torna frequente ou os sintomas persistem, a causa deve ser investigada antes de concluir que houve falha da cirurgia.

03

Toda hérnia de hiato que volta precisa ser operada novamente?

Não. Uma recidiva pequena pode aparecer em exames sem causar sintomas relevantes. A indicação de nova cirurgia depende das queixas, do tamanho da hérnia, da anatomia encontrada e dos resultados da avaliação funcional.

04

Estufamento e dificuldade para arrotar depois da fundoplicatura são sinais de refluxo?

Nem sempre. A fundoplicatura pode mudar a forma como o estômago elimina gases e alguns pacientes apresentam estufamento ou dificuldade para arrotar. Se o incômodo for intenso, persistente ou acompanhado de outros sintomas, a avaliação médica ajuda a diferenciar um efeito pós-operatório de outra complicação.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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