Dor no estômago que vai e volta
Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Dor no estômago que vai e volta: o que pode ser

A dor no estômago pode desaparecer por horas ou dias e ainda precisar de investigação, principalmente quando volta com frequência.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
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Quem sente dor no estômago que vai e volta pode passar alguns dias sem nenhum incômodo e acreditar que o problema acabou.

Depois, a dor aparece outra vez, às vezes depois de comer, durante a madrugada ou sem um motivo que pareça claro.

Esse comportamento acontece em diferentes doenças do aparelho digestivo.

Gastrite e úlcera são lembradas com frequência, mas refluxo, dispepsia funcional e problemas na vesícula também podem provocar crises que melhoram e retornam.

A forma como a dor aparece conta bastante nessa investigação.

Saber onde dói, quanto tempo a crise dura e o que aconteceu antes de ela começar pode ajudar o médico a chegar mais perto da causa.

Por que a dor pode desaparecer e depois voltar?

Nem todo problema digestivo provoca dor o dia inteiro.

O estômago recebe alimentos em alguns momentos, fica vazio em outros e produz secreções ao longo do dia. A vesícula também entra em ação principalmente depois das refeições.

Por isso, certas doenças incomodam mais em situações específicas.

Uma pessoa pode acordar bem, almoçar e começar a sentir dor algum tempo depois. Outra passa o dia sem sintomas, mas sente queimação quando se deita.

Há também quem fique vários dias bem e tenha uma nova crise depois de uma refeição mais pesada.

Essas diferenças importam.

Durante a consulta, vale explicar com suas próprias palavras o que acontece. Frases simples como “dói quando fico muito tempo sem comer”, “sempre começa depois do jantar” ou “a dor vem forte e depois passa” podem ser bastante úteis.

Dor no estômago que vai e volta pode ser gastrite?

Pode, mas não é possível dizer que toda dor nessa região seja gastrite, que acontece quando existe inflamação na camada interna do estômago.

Algumas pessoas não sentem nada. Outras percebem ardor, desconforto na parte alta da barriga, enjoo ou uma sensação desagradável depois das refeições.

Também pode aparecer falta de apetite ou aquela impressão de que o estômago ficou cheio antes mesmo de a pessoa terminar de comer.

Uma das causas conhecidas de gastrite é a bactéria Helicobacter pylori. O uso frequente de alguns anti-inflamatórios também pode machucar a proteção natural do estômago.

O problema é que esses sintomas não são exclusivos da gastrite. Uma úlcera ou uma dispepsia, por exemplo, pode provocar uma sensação bastante parecida.

Portanto, dizer apenas “estou com dor no estômago” ainda deixa muitas possibilidades abertas.

Úlcera dói o tempo todo?

Não necessariamente.

A úlcera é uma ferida que pode aparecer no estômago ou no duodeno, a parte inicial do intestino. A dor nem sempre permanece constante.

Alguns pacientes descrevem uma queimação localizada na parte alta do abdômen. Há quem perceba mais o incômodo quando está há algumas horas sem comer.

Em outras pessoas, a refeição é justamente o momento em que a dor aparece ou aumenta.

Também existe quem acorde durante a madrugada por causa do desconforto.

Duas causas importantes são a infecção por H. pylori e o uso de anti-inflamatórios.

Quando uma úlcera sangra, o quadro muda. Vômito com sangue, fezes muito escuras, fraqueza ou tontura precisam de avaliação médica rápida.

E a dispepsia funcional?

Existe uma situação que confunde bastante quem passa por ela.

A pessoa sente queimação, peso na barriga, estufamento ou dor. Faz exames e não aparece uma úlcera, uma inflamação importante ou outra alteração capaz de explicar tudo o que ela sente.

Uma possibilidade é a dispepsia funcional.

Nesse quadro, o aparelho digestivo pode ficar mais sensível e provocar sintomas, mesmo sem uma lesão visível.

É comum a pessoa contar que existem semanas boas e outras em que o desconforto incomoda muito mais.

Também pode acontecer de poucas garfadas já causarem uma sensação de estômago cheio. Em outros casos, o principal problema é uma ardência ou dor na região central da parte alta da barriga.

O diagnóstico não é feito só porque uma endoscopia veio normal. O médico precisa analisar o conjunto dos sintomas e afastar outras causas que façam sentido para aquele paciente.

Refluxo também provoca dor na região do estômago?

Pode provocar desconforto que o paciente interpreta como dor no estômago.

No refluxo, parte do conteúdo que está dentro do estômago retorna para o esôfago. A queimação atrás do peito é um sintoma conhecido, mas nem todo paciente descreve o que sente do mesmo jeito.

Alguns falam em ardor na boca do estômago, enquanto outros percebem gosto amargo ou ácido na boca. Também pode existir uma sensação de líquido ou alimento voltando.

O momento em que os sintomas aparecem traz pistas.

Refeições grandes, deitar pouco tempo depois de comer ou passar a noite com queimação são relatos que podem fazer o médico pensar em refluxo.

Ainda assim, uma dor localizada na parte alta da barriga não deve receber automaticamente esse diagnóstico.

E se o problema estiver na vesícula?

A pessoa nem sempre consegue apontar exatamente de onde vem uma dor abdominal.

Por esse motivo, uma crise da vesícula pode acabar sendo descrita como “dor de estômago”.

Quando existe uma pedra na vesícula e ela atrapalha a saída da bile por algum tempo, pode surgir uma dor forte na parte superior do abdômen, geralmente mais para o lado direito ou no centro.

É comum a pessoa dizer que estava bem, comeu e algum tempo depois começou a sentir dor.

Refeições com muita gordura podem desencadear crises em algumas pessoas. O incômodo pode alcançar as costas e, às vezes, a região próxima ao ombro direito.

A crise também pode vir acompanhada de náusea ou vômito.

Se a dor não passa, aparece febre ou a pele fica amarelada, a avaliação não deve ser adiada.

O horário em que a dor aparece dá alguma pista?

Dá, mas não funciona como uma regra capaz de fechar o diagnóstico.

Uma dor que sempre aparece depois de comer chama atenção para situações diferentes daquela que surge quando a pessoa está em jejum.

O mesmo vale para sintomas que começam apenas quando alguém se deita.

Na consulta, o médico pode perguntar:

  1. A dor aparece antes ou depois das refeições?
  2. Algum alimento parece piorar a crise?
  3. O incômodo acorda você durante a noite?
  4. Comer melhora ou piora?
  5. A dor vai para as costas?
  6. Existe azia, enjoo ou vômito junto?
  7. Quanto tempo cada crise dura?

Nem sempre o paciente lembra de tudo na hora. Quem tem crises frequentes pode até anotar no celular quando a dor apareceu e o que havia comido naquele dia.

Essa informação simples pode ajudar bastante.

Onde dói também faz diferença

Quando alguém diz que está com “dor no estômago”, pode estar apontando para locais diferentes.

A região central logo abaixo das costelas é onde muitas pessoas localizam sintomas do estômago.

Já uma dor mais forte no lado superior direito pode levantar a suspeita de vesícula, dependendo do restante do quadro.

Uma queimação que parece subir em direção ao peito pode ter relação com refluxo.

Não é uma divisão perfeita, pois o corpo nem sempre manda sinais tão organizados.

A dor pode se espalhar, mudar de intensidade ou ser difícil de localizar. Por isso, o ponto em que dói é apenas uma parte da história.

O que mais o médico vai querer saber?

O tipo da dor também ajuda.

Algumas pessoas falam em pontada. Outras dizem que é uma queimação, um aperto, uma cólica ou um peso.

Também importa saber se houve mudança no apetite ou no peso.

Alguns sintomas recebem uma atenção maior durante a investigação, como:

  • Emagrecimento sem intenção;
  • Dificuldade para engolir;
  • Vômitos que continuam por vários dias;
  • Sangue no vômito;
  • Fezes pretas;
  • Anemia;
  • Cansaço fora do habitual;
  • Dor cada vez mais forte.

Quando aparecem sinais desse tipo, pode ser necessário investigar mais cedo.

Quando a dor que vai e volta precisa de endoscopia?

Nem todo paciente com desconforto abdominal precisa sair da primeira consulta com uma endoscopia marcada.

O exame é muito útil porque permite que o médico veja por dentro o esôfago, o estômago e o começo do intestino.

Ele pode mostrar uma úlcera, áreas inflamadas, sangramento e outras alterações.

Se for preciso, também é possível retirar pequenos fragmentos de tecido durante o exame para análise, no entanto, a indicação depende da história de cada pessoa.

Idade, duração dos sintomas, uso de medicamentos, histórico familiar e presença de sinais de alerta entram nessa decisão.

Uma pessoa jovem, sem perda de peso, anemia, sangramento ou dificuldade para engolir pode seguir uma investigação diferente de alguém que começou a ter os sintomas em uma idade mais avançada ou apresenta sinais preocupantes.

Em alguns casos, o médico pode pesquisar H. pylori e acompanhar a resposta ao tratamento antes de pedir uma endoscopia.

Quando os sintomas persistem, mudam de comportamento ou existem fatores que aumentam a preocupação com doenças do estômago, o exame ganha mais importância.

Uma endoscopia normal significa que não existe problema?

Não.

É possível ter sintomas digestivos e uma endoscopia sem alterações importantes.

Isso acontece, por exemplo, em muitos casos de dispepsia funcional.

Também existe outro detalhe: a endoscopia não avalia todos os órgãos que podem provocar dor na parte superior da barriga.

A vesícula não é examinada por dentro durante uma endoscopia. Quando há suspeita de pedra na vesícula, a ultrassonografia do abdômen é mais útil.

Dependendo do que o paciente sente, exames de sangue ou outros exames de imagem também podem entrar na investigação.

Quando procurar atendimento sem esperar a próxima crise?

Uma dor leve que passou e não voltou pode ter um significado bem diferente de uma dor que está ficando mais forte ou acompanhada de outros sintomas.

Algumas situações merecem atenção rápida.

Procure atendimento se houver vômito com sangue, fezes pretas, desmaio, fraqueza intensa ou uma dor muito forte que não melhora.

Também não é indicado adiar a avaliação quando existe febre, pele amarelada, vômitos repetidos ou dificuldade para engolir.

Perder peso sem estar tentando merece investigação, principalmente quando ocorre junto com dor abdominal frequente.

Por que não é uma boa ideia ficar tomando remédio por conta própria?

Uma situação comum é a pessoa sentir dor, tomar um antiácido, melhorar e repetir a mesma estratégia toda vez que o desconforto volta.

A melhora não confirma a causa.

Um remédio pode aliviar um sintoma sem resolver o problema que está provocando as crises.

Também existe o risco de usar medicamentos que irritam o estômago. Anti-inflamatórios são um exemplo importante, principalmente quando tomados com frequência.

Se a dor continua voltando, vale mais descobrir o motivo do que passar meses tentando controlar cada nova crise sozinho.

O que observar antes da consulta

Não precisa decorar termos médicos.

Prestar atenção à rotina já ajuda muito.

Tente lembrar quando a dor começou, onde ela aparece e o que estava acontecendo nas horas anteriores. Observe também se existe alguma relação clara com comida ou jejum.

Se você tomou algum remédio para a dor, informe qual foi e se houve melhora.

Esses detalhes podem parecer pequenos, mas ajudam o médico a decidir quais hipóteses merecem ser investigadas e quais exames realmente fazem sentido.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Dor no estômago que vai e volta é sinal de gastrite?

Pode ser, mas há outras causas possíveis. Úlcera, refluxo, dispepsia funcional e problemas na vesícula também podem provocar crises que aparecem e desaparecem.

02

A dor de úlcera melhora depois de comer?

Em algumas pessoas, sim. Em outras, a refeição piora o desconforto. Esse comportamento sozinho não é suficiente para confirmar uma úlcera.

03

Dor no estômago depois de comida gordurosa pode ser vesícula?

Pode. Crises da vesícula muitas vezes aparecem depois das refeições e podem causar dor forte na parte superior direita da barriga, com enjoo ou dor que se espalha para as costas.

04

Quando devo me preocupar com uma dor no estômago?

Sangue no vômito, fezes pretas, perda de peso, dificuldade para engolir, vômitos persistentes, febre ou dor muito intensa são motivos para procurar avaliação médica.

05

Preciso fazer endoscopia se a dor sempre volta?

Não necessariamente. A indicação depende da idade, dos sintomas e de outros fatores observados na consulta. Em alguns pacientes, a endoscopia é indicada logo no começo; em outros, a investigação pode seguir caminhos diferentes.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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