Médico conversando com paciente durante consulta sobre cirurgia de hemorroida
Intestino, Reto, Peritônio e Câncer Colorretal

Cirurgia de hemorroida: quando é necessária e qual médico procurar

Entenda como os sintomas são avaliados, o grau e quando a cirurgia de hemorroida é indicada.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoLeitura9 min
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Quem procura informações sobre cirurgia de hemorroida geralmente está lidando com sangramento, desconforto, coceira ou uma “bolinha” que aparece no ânus.

Nem todo caso precisa ser operado. Em muitas pessoas, ajustar o funcionamento do intestino e tratar a prisão de ventre já reduz bastante os sintomas.

Se houver sangramento, vale investigar com cuidado, pois nem sempre o sangue vem da hemorroida, e outras alterações no intestino também podem causar esse sinal.

O que são hemorroidas e por que elas incomodam?

Todo mundo possui estruturas vasculares na região anal que ajudam no fechamento do canal anal.

O problema aparece quando esses tecidos aumentam, inflamam, sangram ou descem para fora do ânus.

As hemorroidas podem ser internas ou externas. As internas ficam mais para dentro do canal anal e podem provocar sangramento e prolapso.

Já as externas aparecem na borda do ânus e podem causar inchaço, sensibilidade e dor, especialmente quando ocorre trombose.

É comum a pessoa associar qualquer dor ou sangramento anal a hemorroidas. Só que fissuras, inflamações, pólipos e outras alterações também podem causar sintomas parecidos.

Por esse motivo, o exame médico tem um papel importante antes de escolher o tratamento.

Quais são os graus da hemorroida?

A divisão em graus é usada principalmente para as hemorroidas internas. Ela descreve o quanto o tecido sai pelo ânus durante a evacuação e se consegue voltar sozinho.

Grau I

A hemorroida permanece dentro do canal anal. Pode haver sangramento vermelho vivo, coceira ou desconforto, mas não existe uma parte visível saindo pelo ânus.

Grau II

A hemorroida pode aparecer durante a evacuação ou quando a pessoa faz força. Depois, ela volta para dentro sozinha.

Grau III

O tecido sai e não retorna espontaneamente. A pessoa precisa empurrá-lo de volta com a mão.

Grau IV

A hemorroida permanece do lado de fora e não consegue ser recolocada. Pode existir maior dificuldade para higiene, irritação e desconforto.

O grau ajuda a orientar a conduta, mas não responde tudo.

Duas pessoas com o mesmo grau podem ter sintomas bem diferentes. Uma pode sangrar pouco e raramente, enquanto utra pode ter crises frequentes, dificuldade para se limpar e incômodo diário.

Quando o tratamento sem cirurgia pode resolver?

Casos leves e muitos quadros de grau I ou II podem melhorar sem uma operação. A ideia é reduzir o esforço para evacuar e diminuir a irritação na região anal.

Algumas medidas simples fazem diferença:

  • Beber água ao longo do dia;
  • Aumentar o consumo de fibras de forma gradual;
  • Incluir frutas, verduras, legumes e cereais integrais na rotina;
  • Evitar segurar a vontade de evacuar;
  • Não permanecer muito tempo sentado no vaso;
  • Tratar a prisão de ventre;
  • Evitar esforço exagerado durante a evacuação.

Quando a alimentação não é suficiente, o médico pode orientar fibras em suplemento ou medicamentos que facilitem a evacuação.

Pomadas e cremes podem aliviar ardor, coceira e desconforto em alguns períodos. Eles não fazem uma hemorroida prolapsada “sumir” e não devem ser usados por muito tempo sem orientação.

Banhos mornos também podem trazer alívio, principalmente depois de evacuar.

Cirurgia de hemorroida: quando ela passa a ser considerada?

A cirurgia de hemorroida é avaliada quando os sintomas continuam apesar das medidas clínicas ou quando a doença é mais avançada.

A operação pode ser discutida em situações como:

  1. Hemorroidas que permanecem para fora.
  2. Prolapso de grau III com sintomas frequentes.
  3. Hemorroidas de grau IV.
  4. Componente externo volumoso e incômodo.
  5. Dificuldade importante para fazer a higiene.
  6. Sangramento recorrente que não melhora com outras medidas.
  7. Crises repetidas que interferem no trabalho, no sono ou nas atividades do dia.
  8. Falha de procedimentos menos invasivos.

Ter uma hemorroida de determinado grau não significa, sozinho, que a pessoa será operada.

O coloproctologista avalia o conjunto dos sintomas e conversa com o paciente sobre as possibilidades.

Em alguns casos, um procedimento realizado em consultório pode controlar o problema sem necessidade de hemorroidectomia.

O que é a ligadura elástica?

A ligadura elástica é usada principalmente em hemorroidas internas que continuam causando sintomas. Ela não é a mesma coisa que uma hemorroidectomia.

O médico coloca um pequeno anel de borracha na base da hemorroida interna, o qual interrompe a chegada de sangue ao tecido tratado. Depois de alguns dias, essa parte diminui e se desprende.

O procedimento pode ser indicado em determinados casos de grau I, II e também em alguns de grau III.

Como a ligadura é feita em uma área interna com menor sensibilidade à dor, muitas pessoas sentem apenas pressão, peso ou desconforto depois do procedimento.

Dor forte não deve ser ignorada e precisa ser comunicada ao médico.

Pode acontecer um pequeno sangramento quando o tecido tratado se solta. Sangramento em grande quantidade, febre ou piora importante da dor precisam de avaliação.

Como é feita a hemorroidectomia?

A hemorroidectomia é a retirada cirúrgica das hemorroidas que estão causando sintomas.

É uma técnica bastante conhecida e pode ser indicada nos quadros mais avançados ou quando existe uma combinação de hemorroidas internas e externas importantes.

O procedimento é realizado com anestesia. O cirurgião retira os segmentos doentes preservando áreas de pele e mucosa entre eles.

Existem variações da técnica. Em algumas cirurgias, a ferida fica aberta para cicatrizar. Em outras, parte da região é fechada com pontos.

A escolha depende do quadro encontrado, da anatomia da região e da técnica adotada pela equipe.

A hemorroidectomia tem uma recuperação mais desconfortável do que a ligadura elástica.

A região operada participa diretamente da evacuação e possui muitas terminações nervosas, o que explica boa parte do incômodo nos primeiros dias.

A cirurgia dói muito?

Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem recebe indicação cirúrgica.

Durante a operação, a anestesia impede que o paciente sinta o procedimento. A dor aparece principalmente no pós-operatório e varia bastante entre uma pessoa e outra.

Nos primeiros dias, evacuar pode causar ardor ou dor. Por isso, cuidar da consistência das fezes faz parte da recuperação.

O médico pode indicar analgésicos, medidas para evitar constipação e orientações de higiene. Banhos mornos também podem ser úteis para aliviar o desconforto.

Ficar sem evacuar por medo da dor não ajuda. As fezes ficam mais ressecadas e a próxima evacuação pode ser ainda mais desconfortável.

Quanto tempo leva a recuperação?

O tempo de recuperação depende do tipo de procedimento.

Depois da ligadura elástica, muitos pacientes retomam atividades leves em pouco tempo.

Pode haver sensação de pressão, vontade de evacuar ou pequeno sangramento nos dias seguintes.

Após uma hemorroidectomia, a recuperação exige mais cuidado. A dor é mais forte nos primeiros dias e vai diminuindo ao longo das semanas.

Muitos pacientes conseguem voltar a atividades leves antes de estarem totalmente recuperados.

Trabalho pesado, academia e exercícios que aumentam a pressão abdominal podem precisar de uma pausa maior.

Durante esse período, alguns cuidados ajudam:

  • Manter as fezes macias;
  • Beber água;
  • Seguir a alimentação orientada;
  • Usar os medicamentos conforme a prescrição;
  • Fazer a higiene sem esfregar a região;
  • Evitar esforço físico antes da liberação.

O tempo exato para dirigir, trabalhar ou treinar não é igual para todos. O retorno deve acompanhar a evolução individual e a orientação do cirurgião.

Sangue nas fezes é sempre hemorroida?

Não. Ver sangue no papel higiênico ou no vaso faz muita gente pensar imediatamente em hemorroida, mas esse sintoma também aparece em outras doenças.

Uma fissura anal, por exemplo, pode causar sangue vermelho vivo e dor intensa ao evacuar.

Inflamações do intestino e algumas infecções também podem provocar sangramento.

Pólipos e tumores do cólon ou do reto entram na lista de causas que precisam ser lembradas, principalmente quando o sangramento se repete ou aparece junto de outros sinais.

Procure avaliação médica quando houver:

  • Sangramento que volta com frequência;
  • Anemia;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Mudança persistente no funcionamento do intestino;
  • Fezes muito escuras;
  • Presença de sangue misturado às fezes;
  • Histórico familiar de câncer colorretal;
  • Dor abdominal persistente.

Em alguns casos, o exame da região anal é suficiente para identificar a causa. Em outros, o médico pode indicar colonoscopia ou outros exames.

O ponto importante é evitar o autodiagnóstico. Ter hemorroida conhecida não significa que todo sangramento futuro venha dela.

Qual médico procurar para tratar hemorroida?

O especialista mais indicado é o coloproctologista, também chamado de proctologista.

Esse médico cuida de doenças do ânus, reto e intestino grosso e realiza tanto tratamentos clínicos quanto procedimentos e cirurgias.

Durante a consulta, o médico pergunta sobre sangramento, dor, coceira, hábito intestinal e presença de prolapso.

O exame da região ajuda a identificar se existem hemorroidas, fissuras ou outras alterações.

A anoscopia pode ser usada para enxergar melhor o canal anal e avaliar hemorroidas internas.

Um gastroenterologista ou cirurgião geral também pode identificar e acompanhar alguns casos.

Quando há dúvida sobre tratamento cirúrgico, prolapso importante ou sintomas persistentes, a avaliação com coloproctologista tende a ser a mais direta.

É possível evitar que a hemorroida volte?

Nenhum tratamento oferece garantia absoluta de que sintomas nunca mais vão aparecer.

A cirurgia remove os segmentos doentes, mas os hábitos intestinais continuam tendo importância.

Quem volta a fazer muita força para evacuar ou mantém constipação frequente pode ter novos problemas na região anal.

Depois do tratamento, vale manter alguns cuidados simples:

  • Consumir fibras regularmente;
  • Beber líquidos;
  • Não adiar a evacuação;
  • Evitar esforço exagerado;
  • Reduzir o tempo sentado no vaso;
  • Procurar avaliação quando surgir um novo sangramento.

O objetivo não é criar uma rotina cheia de regras. É facilitar a evacuação e diminuir agressões repetidas ao canal anal.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Toda hemorroida grau 3 precisa de cirurgia?

Não. Alguns casos podem ser tratados com ligadura elástica ou outras abordagens menos invasivas. A decisão depende do tamanho do prolapso, dos sintomas e da resposta aos tratamentos anteriores.

02

A ligadura elástica é uma cirurgia?

Ela é um procedimento ambulatorial, diferente da hemorroidectomia. Um pequeno anel é colocado na base da hemorroida interna para interromper seu fluxo sanguíneo e fazer o tecido diminuir.

03

A hemorroida pode voltar depois da operação?

Pode haver novos sintomas no futuro, principalmente se persistirem prisão de ventre e esforço para evacuar. A chance também depende da técnica usada e das características de cada caso.

04

Quanto tempo depois da hemorroidectomia é possível voltar ao trabalho?

Depende do tipo de trabalho e da evolução do pós-operatório. Atividades leves podem ser retomadas mais cedo, enquanto trabalhos físicos podem exigir um afastamento maior.

05

Sangue nas fezes pode ser câncer mesmo se eu tiver hemorroida?

Pode. Hemorroidas são uma causa comum de sangramento anal, mas não são a única. Sangramento recorrente ou acompanhado de perda de peso, anemia ou mudança intestinal precisa ser investigado.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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