Quais são os estágios do câncer de fígado
Fígado, Vesícula e Câncer Hepatobiliar

Quais são os estágios do câncer de fígado? Veja o que muda em cada fase

Veja como o tumor é classificado, o que muda do estágio inicial ao avançado e quais são os estágios do câncer de fígado.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
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Nem todo câncer de fígado se apresenta da mesma forma. Em alguns casos, a doença está concentrada em uma área do órgão. Em outros, pode envolver vasos importantes ou já estar presente fora do fígado.

É a partir desse cenário que os médicos conseguem definir o estágio.

Quem procura saber quais são os estágios do câncer de fígado geralmente quer entender o que muda entre uma classificação e outra.

O estágio é uma parte importante da avaliação, mas não determina sozinho o que será feito nem permite prever, por si só, a evolução do quadro.

A equipe também observa como o fígado está funcionando e quais condições de saúde o paciente já apresenta. Esse ponto ganha peso quando existe alguma doença hepática anterior, como cirrose. Quando há indicação cirúrgica, a página sobre cirurgia de fígado por videolaparoscopia explica técnica, preparo e recuperação.

Quais os estágios do câncer de fígado?

Uma das classificações usadas é o sistema TNM.

As três letras representam informações diferentes:

  • T: avalia o tumor dentro do fígado, incluindo número de lesões, tamanho e invasão de estruturas próximas;
  • N: indica se foram encontrados linfonodos regionais comprometidos;
  • M: mostra a presença ou ausência de metástases distantes.

A combinação desses dados leva aos estágios IA, IB, II, IIIA, IIIB, IVA e IVB.

Existe também o sistema BCLC, bastante usado no carcinoma hepatocelular. Ele acrescenta informações que fazem diferença na prática, como funcionamento do fígado, sintomas e estado geral do paciente.

Esse detalhe ajuda a explicar algo que pode causar estranheza: duas pessoas com tumores parecidos podem receber propostas de tratamento diferentes.

Estágio IA: tumor pequeno e restrito ao fígado

Aqui existe um único tumor de até 2 cm, sem comprometimento dos linfonodos e sem metástases para outros órgãos.

É uma situação inicial da doença.

Dependendo de como está o restante do fígado, podem entrar na discussão tratamentos com intenção curativa, entre eles cirurgia, transplante hepático ou ablação.

Ter um tumor pequeno não significa que qualquer cirurgia seja possível, pois um fígado muito comprometido pela cirrose, por exemplo, pode mudar totalmente o planejamento.

Estágio IB: um tumor maior que 2 cm

No estágio IB também há uma única lesão, só que ela mede mais de 2 cm e não invadiu vasos sanguíneos.

Não há metástases em linfonodos regionais nem em locais distantes.

Esse ponto merece atenção porque algumas explicações antigas ou simplificadas colocam o T1b dentro do estágio II.

Pela classificação TNM atual usada para o carcinoma hepatocelular, ele corresponde ao estágio IB.

A possibilidade de retirar o tumor, fazer ablação ou considerar transplante depende da avaliação completa do fígado e do paciente.

Estágio II: o que muda?

O estágio II já traz características diferentes das fases anteriores.

Ele pode corresponder a:

  • Um tumor único, maior que 2 cm, que invadiu vasos sanguíneos; ou
  • Vários tumores, desde que nenhum tenha mais de 5 cm.

Linfonodos e órgãos distantes continuam sem sinais de disseminação da doença.

O médico não olha apenas para o tamanho que aparece no exame. A localização dos tumores e sua proximidade com vasos também pesam bastante.

Em alguns casos ainda pode haver espaço para tratamento cirúrgico. Em outros, procedimentos feitos diretamente sobre o tumor ou os vasos que o alimentam passam a fazer parte da discussão.

Câncer de fígado estágio 3: o que significa?

No estágio III, a doença continua sem metástase distante, mas já apresenta uma extensão maior dentro do fígado.

Existem duas subdivisões.

Estágio IIIA

Há mais de um tumor e pelo menos um deles mede mais de 5 cm.

Não foram identificados linfonodos regionais comprometidos nem metástase para outros órgãos.

O número e a distribuição das lesões precisam ser avaliados junto com a reserva do fígado. É isso que ajuda a definir até onde um tratamento local pode ser realizado com segurança.

Estágio IIIB

Aqui o ponto central não é simplesmente o tamanho.

O tumor pode ter invadido um ramo principal de grandes vasos do fígado, como a veia porta ou a veia hepática.

Também entram nessa categoria algumas situações de invasão direta de estruturas próximas.

Essa característica restringe determinadas cirurgias e interfere bastante na escolha do tratamento.

Câncer de fígado estágio 3: quanto tempo de vida?

Essa dúvida aparece com frequência porque o paciente vê "estágio 3" no diagnóstico e logo pensa que recebeu uma estimativa de tempo de vida.

Não funciona desse jeito, pois duas pessoas classificadas no mesmo estágio podem apresentar quadros bem diferentes.

Uma pode manter boa função hepática; outra pode ter cirrose avançada. Também mudam o número de lesões, a invasão vascular, a condição física e a resposta ao tratamento.

O câncer de fígado estágio 3 não significa automaticamente fase terminal.

O estágio ajuda a estimar o comportamento da doença em grupos de pacientes, mas não funciona como uma previsão individual de meses ou anos de vida.

Estágio IVA: quando os linfonodos são atingidos

O estágio IVA ocorre quando o câncer chegou aos linfonodos regionais, sem que tenha sido encontrada metástase distante.

Dentro do fígado, o tumor pode apresentar tamanhos e características variadas.

Nesse cenário, cirurgia com intenção curativa geralmente deixa de ser a principal estratégia.

O tratamento precisa ser discutido caso a caso, considerando função hepática, sintomas e possibilidade de terapias sistêmicas ou procedimentos voltados para determinadas áreas da doença.

Estágio IVB: presença de metástase distante

No IVB, células do câncer que começou no fígado chegaram a uma região distante. Pulmões e ossos estão entre os locais que podem ser acometidos.

Esse é o grupo mais avançado dentro do TNM.

O tratamento envolve medicamentos que atuam no organismo todo. Hoje existem esquemas com imunoterapia e terapias-alvo que ampliaram as possibilidades para determinados pacientes com carcinoma hepatocelular avançado.

Radioterapia e procedimentos direcionados ao fígado também podem ser utilizados em situações específicas.

Câncer de fígado estágio 4: quanto tempo de vida?

Quando alguém pesquisa sobre câncer de fígado estágio 4 tempo de vida, geralmente não está procurando uma estatística. Está tentando descobrir quanto tempo ainda poderá ter ao lado da família.

Só o estágio não permite responder.

O estágio IV engloba quadros bastante diferentes. Uma pessoa pode ter comprometimento de linfonodos sem metástase distante. Outra pode apresentar lesões em outros órgãos.

Também faz diferença saber:

  • Como está a função do fígado;
  • Se existe cirrose avançada;
  • Quais órgãos foram atingidos;
  • Como está o estado geral do paciente;
  • Quais tratamentos ainda podem ser utilizados;
  • Como a doença responde às terapias propostas.

Por isso, a pergunta "quem tem câncer no fígado vive quanto tempo?" só pode ser discutida de forma responsável depois de conhecer o quadro completo.

Uma média estatística não determina quanto tempo uma pessoa específica viverá.

Câncer estágio 4 é terminal?

Estágio 4 e fase terminal não são sinônimos.

O estágio descreve onde o câncer está e até onde ele se espalhou. A expressão fase terminal é usada quando a doença está muito avançada e os tratamentos destinados ao controle do tumor já não trazem benefício suficiente ou não podem mais ser realizados.

Estar no estágio 4 não significa que o paciente deixou de ter possibilidades de cuidado.

Nessa fase, a equipe avalia o que ainda pode trazer benefício para aquele paciente, levando em conta o comportamento da doença, os sintomas e as condições gerais de saúde.

A partir dessa avaliação, o tratamento pode ter focos diferentes, desde tentar manter o câncer sob controle até reduzir desconfortos que estejam afetando o dia a dia.

Medicamentos que atuam no corpo inteiro, radioterapia e tratamentos direcionados a determinadas áreas podem fazer parte dessa abordagem.

Ter câncer de fígado estágio 4 também não significa, automaticamente, estar nos últimos dias de vida. Só essa informação não permite estimar quanto tempo a pessoa ainda pode viver.

Quais sintomas aparecem quando o câncer de fígado está avançado?

O tumor pode aumentar durante um certo período sem manifestar sinais muito claros.

Com o avanço da doença, algumas pessoas começam a perceber mudanças que levam à investigação ou surgem durante o acompanhamento.

Podem ocorrer:

  • Perda de peso sem intenção;
  • Redução do apetite;
  • Sensação de saciedade depois de comer pouco;
  • Desconforto ou dor na parte superior direita do abdômen;
  • Cansaço e fraqueza;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Náuseas;
  • Pele e olhos amarelados;
  • Acúmulo de líquido na barriga.

Nem todo paciente terá esses sintomas.

Eles também podem aparecer em outras doenças do fígado, principalmente na cirrose. O quadro precisa ser interpretado junto com exames de sangue e de imagem.

Câncer de fígado: sintomas de fase terminal são sempre os mesmos?

Não.

Esse é outro ponto que merece cuidado porque a busca por câncer de fígado sintomas fase terminal pode levar a listas que tratam qualquer sintoma como sinal de proximidade da morte.

Não existe uma sequência obrigatória.

Em fases muito avançadas, podem aparecer fraqueza intensa, dificuldade para se alimentar, emagrecimento acentuado, ascite, icterícia e queda do estado geral.

Parte desses sintomas pode vir do câncer, e parte pode estar ligada à perda da função hepática.

Só a presença de barriga inchada, icterícia ou falta de apetite não define que a pessoa esteja na fase terminal.

Câncer no fígado incha a barriga?

Pode acontecer.

Em alguns pacientes ocorre acúmulo de líquido dentro do abdômen, chamado ascite. A barriga aumenta de volume e pode surgir sensação de peso, desconforto ou falta de ar.

A ascite não aparece exclusivamente por causa do câncer.

Pessoas com cirrose também podem desenvolver o problema, inclusive sem tumor. Por isso, quando a barriga começa a aumentar, é necessário descobrir o motivo em vez de concluir que houve piora do câncer apenas pelo sintoma.

Câncer no fígado deixa a pessoa amarela?

Pode.

Quando a bilirrubina deixa de ser processada e eliminada como deveria, ela pode aumentar no organismo e dar aos olhos e à pele um tom amarelado. É esse sinal que os médicos chamam de icterícia.

No câncer de fígado, pode acontecer tanto por comprometimento do funcionamento do órgão quanto por algum bloqueio que atrapalhe a circulação da bile.

Nem toda icterícia, porém, é causada pelo câncer. Existem outras doenças e problemas que também podem provocar esse aspecto amarelado.

Se junto com a mudança de cor aparecerem urina muito escura, fezes claras, coceira intensa ou queda no estado geral, é importante procurar avaliação médica.

Metástase no fígado é a mesma coisa que câncer de fígado?

Não.

Encontrar uma lesão no fígado não significa, necessariamente, que o câncer começou ali. O que define o diagnóstico é o local de origem da doença.

Um tumor intestinal que alcança o fígado, por exemplo, continua sendo tratado e classificado como câncer de intestino com metástase hepática.

Ele não passa a ser considerado um carcinoma hepatocelular só porque também atingiu o fígado.

É por isso que a expressão metástase no fígado estágio 4 precisa ser interpretada com cuidado. Antes de falar em estágio, é preciso saber qual câncer deu origem àquela metástase.

Câncer no fígado tem cura?

Pode ter, principalmente quando o tumor é encontrado em uma fase na qual existe possibilidade de tratamento com intenção curativa.

Veja algumas estratégias consideradas:

  • Retirada cirúrgica da parte afetada do fígado;
  • Transplante hepático;
  • Técnicas de ablação que destroem o tumor sem retirar parte do órgão.

A indicação depende muito mais do que simplesmente "ser estágio 1" ou "ser estágio 2".

O fígado precisa ter reserva suficiente para suportar o procedimento. Quando existe cirrose importante, uma cirurgia tecnicamente possível pode não ser segura.

Quando a doença está avançada, o tratamento visa conter sua progressão, aliviar os sintomas e proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente.

O que aumenta o risco de câncer de fígado?

Muitos casos de carcinoma hepatocelular aparecem em pessoas que já convivem com doença crônica do fígado.

Entre os fatores relacionados a maior risco, destacam-se:

  • Cirrose;
  • Hepatite B crônica;
  • Hepatite C crônica;
  • Consumo elevado e prolongado de álcool;
  • Doença hepática ligada a alterações metabólicas;
  • Obesidade;
  • Diabetes tipo 2;
  • Tabagismo;
  • Algumas doenças hereditárias que atingem o fígado;
  • Exposição relevante a aflatoxinas.

Ter um fator de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer.

O que muda é a necessidade de acompanhar melhor a saúde do fígado em grupos que apresentam risco aumentado.

Quem precisa fazer acompanhamento para detectar o tumor cedo?

O acompanhamento é recomendado a quem apresenta maior chance de desenvolver a doença, em particular pacientes com cirrose e alguns casos de hepatite B crônica.

Nessas situações, o médico pode indicar exames em intervalos regulares. A ultrassonografia faz parte desse controle e pode ser associada à dosagem de alfa-fetoproteína, muitas vezes em períodos de seis meses.

Quando algum achado levanta suspeita, a investigação pode avançar com exames de imagem mais detalhados, como tomografia ou ressonância com contraste.

Identificar um carcinoma hepatocelular ainda pequeno e restrito aumenta as possibilidades de tratamentos voltados à cura.

O que acontece depois que o médico define o estágio?

Depois que o estágio é definido, ainda faltam informações importantes para decidir o caminho do tratamento.

A equipe precisa entender como o fígado está trabalhando, se há cirrose, onde exatamente estão as lesões e se o câncer alcançou vasos sanguíneos ou outras partes do corpo.

Conforme o que os exames mostram, diferentes profissionais podem participar das decisões sobre o tratamento.

Para o paciente, mais importante do que decorar o estágio é entender o que ele representa no próprio caso: quanto a doença avançou, como o fígado está funcionando e quais possibilidades de tratamento ainda podem ser consideradas.

Ao menor de sintoma incomum, o caminho é procurar um médico gastroenterologista especialista em tratamentos conservadores e cirúrgicos para então definir a melhor abordagem terapêutica.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Quais são os estágios do câncer de fígado?

Pelo sistema TNM, o carcinoma hepatocelular é dividido em IA, IB, II, IIIA, IIIB, IVA e IVB. Quanto mais avançado o estágio, maior é a extensão da doença. O tratamento não é definido apenas por essa classificação, pois a função do fígado também precisa ser considerada.

02

Um tumor grande no fígado significa automaticamente estágio 4?

Não. O tamanho participa do estadiamento, mas o estágio 4 está ligado ao comprometimento de linfonodos regionais ou à presença de metástase distante. Um tumor grande pode pertencer a outro estágio.

03

Câncer no fígado sem metástase ainda pode ser grave?

Sim. O tumor pode comprometer grandes vasos ou ocupar parte significativa do fígado mesmo sem metástase. A própria condição do fígado, especialmente na presença de cirrose, também interfere na gravidade do quadro.

04

É possível descobrir câncer de fígado antes de aparecerem sintomas?

Sim. Pessoas incluídas em grupos de maior risco podem fazer vigilância periódica. O objetivo é encontrar alterações ainda pequenas, quando as possibilidades de tratamento curativo costumam ser maiores.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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