Peritônio
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Peritônio: o que é, onde fica e para que serve

Presente dentro do abdômen e da pelve, essa membrana participa do movimento e da proteção das vísceras. Saiba para que serve e onde fica o peritônio.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
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Se você recebeu um exame e encontrou esse termo no laudo, a dúvida é imediata: o que é, onde fica o peritônio e por que ele foi citado?

Trata-se de uma camada delicada de tecido que fica dentro do abdômen e alcança também a região pélvica. Casos selecionados podem ser tratados com cirurgia peritoneal em Goiânia.

Ela reveste internamente essa área e mantém contato com diferentes estruturas, como partes do intestino, estômago, fígado e outros órgãos.

Na maior parte do tempo, o peritônio não causa qualquer sensação e passa despercebido.

Ele ganha importância nos exames quando existe algum problema na região, como irritação, inflamação, presença de líquido ou alterações que atingem essa membrana.

Onde fica o peritônio?

Para localizar o peritônio no corpo humano, pense no interior do abdômen.

Ele começa próximo ao diafragma, acompanha a parede abdominal e segue até a pelve. Durante esse trajeto, forma dobras e envolve diferentes estruturas.

Isso significa que não existe um único ponto que possa ser apontado como "o lugar do peritônio".

Parte dele fica junto à parede do abdômen. Outra parte acompanha a superfície das vísceras.

É daí que surgem dois termos encontrados com frequência:

  • Peritônio parietal, ligado à parede abdominal;
  • Peritônio visceral, que recobre órgãos e vísceras.

Essa divisão também ajuda a compreender certos tipos de dor.

Quando o peritônio parietal é irritado, a pessoa consegue indicar melhor onde dói. O incômodo também pode aumentar ao tossir, andar ou mexer o tronco.

Quando a origem é visceral, a dor é menos localizada.

O que é a cavidade peritoneal?

O peritônio parietal e o visceral ficam muito próximos.

Entre essas duas superfícies existe a cavidade peritoneal. Apesar do nome, ela normalmente não é um grande espaço vazio.

Ali há uma pequena quantidade de líquido que facilita o movimento dos órgãos.

Esse detalhe faz diferença porque o intestino se movimenta continuamente durante a digestão. O mesmo ocorre quando respiramos, caminhamos ou mudamos de posição.

Se a quantidade de líquido aumenta, o exame pode descrever "líquido livre na cavidade peritoneal" ou "ascite".

O significado não é sempre o mesmo e precisa ser analisado conforme a quantidade encontrada e o restante do quadro.

Para que serve o peritônio?

Uma das tarefas do peritônio é permitir que as estruturas do abdômen se movimentem sem ficar em atrito constante.

Só que ele faz mais do que isso.

Essa membrana também tem um papel estrutural dentro do abdômen. Parte de suas extensões ajuda a manter algumas estruturas posicionadas e cria caminhos por onde passam vasos e nervos.

O peritônio ainda entra em ação quando surge algum problema na cavidade abdominal. Infecções e processos inflamatórios podem desencadear respostas locais que envolvem diretamente esse tecido.

Outra característica chama atenção na medicina: essa membrana consegue realizar trocas de líquidos e substâncias. É por isso que ela pode ser utilizada na diálise peritoneal em alguns pacientes com insuficiência renal.

Peritônio e retroperitônio: qual é a diferença?

Os nomes são parecidos, mas indicam regiões distintas.

O retroperitônio fica atrás da parte posterior do peritônio.

Rins, ureteres, aorta e veia cava inferior estão nessa região. Grande parte do pâncreas e alguns segmentos do duodeno também têm localização retroperitoneal.

Isso ajuda a explicar por que determinadas doenças do pâncreas ou dos rins podem provocar dor nas costas ou nas laterais do abdômen.

Onde fica o peritônio na mulher?

A membrana segue até a pelve feminina e acompanha estruturas próximas ao útero, aos ovários e às tubas uterinas.

Nessa área, suas dobras formam espaços anatômicos. Um dos mais conhecidos é o fundo de saco de Douglas, localizado entre o útero e o reto.

Esse espaço pode ser mencionado em ultrassonografias ginecológicas, principalmente quando existe líquido na pelve.

A anatomia masculina tem uma organização diferente nessa região, já que não existem útero, tubas ou ovários.

O que pode acontecer quando o peritônio inflama?

Quando essa membrana fica inflamada, o quadro é chamado de peritonite, que pode acontecer, por exemplo, quando há perfuração de alguma parte do sistema digestivo.

Nessa situação, substâncias que deveriam permanecer dentro desses órgãos podem alcançar a cavidade abdominal e irritar o peritônio.

Pode ocorrer, por exemplo, em casos complicados de:

  • Apendicite;
  • Diverticulite;
  • Perfuração intestinal;
  • Úlcera perfurada;
  • Trauma abdominal.

A pessoa pode apresentar dor intensa, aumento da sensibilidade na barriga, febre, náuseas e piora importante do estado geral.

Em certas situações, o abdômen fica bastante rígido.

O tratamento depende da causa. Havendo perfuração ou um foco de contaminação que precisa ser controlado, cirurgia ou drenagem podem ser necessárias.

Existe também a peritonite bacteriana espontânea, vista principalmente em pessoas com cirrose e ascite.

Nesse quadro, não há obrigatoriamente uma perfuração do intestino. O tratamento envolve antibióticos e acompanhamento hospitalar.

Câncer também pode chegar ao peritônio?

Pode.

Alguns cânceres conseguem se espalhar pela superfície peritoneal e formar pequenos ou grandes implantes.

Esse quadro pode aparecer nos laudos como metástases peritoneais ou carcinomatose peritoneal.

Entre as possíveis origens estão tumores de:

  • Cólon e reto;
  • Estômago;
  • Apêndice;
  • Ovário.

Receber essa informação em um exame não permite definir, sozinho, qual tratamento será indicado.

A equipe precisa analisar de onde veio o tumor, quanto da cavidade abdominal está comprometida e se a doença atingiu outros locais.

O estado geral da pessoa também entra nessa decisão.

Quando a cirurgia citorredutora e a HIPEC são usadas?

Em alguns pacientes com doença tumoral no peritônio, pode ser discutida a cirurgia citorredutora.

Durante o procedimento, o objetivo é retirar a maior quantidade possível das lesões visíveis.

A HIPEC é outra técnica que pode ser empregada em situações específicas. Uma solução com quimioterápico aquecido circula dentro da cavidade abdominal durante a operação.

Não significa que toda pessoa com carcinomatose peritoneal precise fazer HIPEC.

A indicação depende principalmente do câncer de origem, de quanto a doença se espalhou e da possibilidade de retirada cirúrgica das lesões.

Existem cenários em que a técnica tem papel mais estabelecido e outros em que o benefício é limitado ou ainda depende de critérios bastante específicos.

Ascite é uma doença do peritônio?

Ascite não é o nome de uma doença. O termo descreve o acúmulo de líquido dentro da cavidade peritoneal.

A cirrose é uma causa frequente, mas existem outras.

O líquido também pode se acumular devido a câncer, insuficiência cardíaca, infecções e algumas doenças do fígado.

Quando o volume cresce bastante, a pessoa pode notar a barriga mais aumentada ou pesada.

Também podem surgir saciedade precoce e dificuldade para respirar, especialmente nos casos em que há muito líquido.

Para que serve a paracentese?

Quando há ascite, uma agulha pode ser introduzida no abdômen para retirar uma amostra ou uma quantidade maior de líquido.

Esse procedimento é chamado de paracentese.

O material coletado pode ajudar a descobrir a origem do problema e identificar uma possível infecção.

Nos casos com grande volume, a retirada do líquido também pode aliviar sintomas.

O que é pseudomixoma peritoneal?

O pseudomixoma peritoneal é uma condição rara na qual material rico em mucina vai se acumulando dentro do abdômen.

Muitas vezes, a origem está em um tumor mucinoso do apêndice.

O comportamento dessa doença varia. Quando há possibilidade de tratamento cirúrgico adequado, citorredução associada à HIPEC pode ser indicada em centros especializados.

Mesotelioma também pode começar no peritônio?

Sim.

O mesotelioma peritoneal nasce nas células que revestem essa membrana e é considerado um câncer raro.

Quem recebe o diagnóstico de mesotelioma quer saber se alguma exposição do passado pode ter contribuído para o aparecimento da doença.

O amianto é um dos fatores conhecidos, mas essa ligação é mais forte nos casos que atingem a pleura, a membrana ao redor dos pulmões.

Já o tratamento não é igual para todos. A equipe avalia onde o tumor está, até onde ele se espalhou e como está a saúde do paciente antes de definir a conduta. Para aprofundar, veja carcinomatose peritoneal tem cura.

Cirurgia citorredutora e HIPEC podem entrar no planejamento em casos selecionados.

O que são aderências peritoneais?

Nem toda alteração do peritônio está ligada a câncer ou infecção.

Depois de uma cirurgia abdominal, por exemplo, o processo de cicatrização pode formar pequenas faixas de tecido entre estruturas que antes deslizavam livremente.

São as chamadas aderências.

Muitas nunca causam sintomas e acabam nem sendo descobertas, enquanto outras podem provocar dor ou contribuir para uma obstrução intestinal.

A endometriose pode atingir o peritônio?

A endometriose também pode aparecer sobre o peritônio da pelve.

Nesse caso, focos de tecido semelhante ao endométrio se desenvolvem em sua superfície.

Cólicas intensas, dor pélvica e desconforto durante a relação sexual podem aparecer, mas os sintomas variam bastante.

A localização e a extensão das lesões nem sempre acompanham a intensidade da dor sentida pela paciente.

Existe tuberculose peritoneal?

Apesar de ser mais conhecida por atingir os pulmões, a tuberculose pode aparecer em outras partes do organismo.

Uma delas é o peritônio.

A tuberculose peritoneal pode provocar dor abdominal, ascite, febre, falta de apetite e emagrecimento.

Esses sinais também aparecem em várias outras doenças.

Por essa razão, pode ser necessário estudar o líquido abdominal e, dependendo do caso, colher tecido para biópsia.

Que sintomas podem aparecer quando existe um problema no peritônio?

Não há um conjunto de sintomas que identifique sozinho uma doença peritoneal.

Uma infecção aguda se manifesta de maneira bem diferente de um tumor que cresce lentamente.

As queixas possíveis são:

  • Dor na barriga;
  • Distensão abdominal;
  • Febre;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Redução do apetite;
  • Sensação de ficar cheio rapidamente;
  • Prisão de ventre;
  • Dificuldade para eliminar gases;
  • Emagrecimento sem explicação.

O tempo de evolução também ajuda na avaliação.

Dor que começou de repente e piora rapidamente pede um raciocínio diferente de um aumento gradual da barriga ao longo de várias semanas.

Como o médico investiga o peritônio?

Nem sempre é necessário começar por um exame sofisticado. A investigação parte dos sintomas, do histórico da pessoa e do exame abdominal.

Depois disso, os exames são escolhidos conforme a suspeita.

Podem entrar nessa investigação:

  1. Exames laboratoriais.
  2. Ultrassonografia.
  3. Tomografia.
  4. Ressonância magnética.
  5. Paracentese.
  6. Biópsia.
  7. Videolaparoscopia.

A tomografia do abdômen é bastante utilizada quando se procura perfuração intestinal, abscesso, ascite, obstrução ou doença tumoral.

Se houver líquido, a análise de uma amostra pode fornecer informações que a imagem não consegue mostrar.

Toda doença do peritônio precisa de cirurgia?

Não.

A necessidade de cirurgia está ligada à causa.

Uma perfuração intestinal pode exigir operação para controlar a contaminação. Uma infecção associada à ascite segue outro caminho.

O mesmo raciocínio serve para as doenças tumorais.

Há pacientes que recebem tratamento medicamentoso ou quimioterapia. Outros podem ter indicação de cirurgia, drenagem ou uma combinação de abordagens.

Encontrar uma alteração peritoneal no exame não basta para decidir o tratamento.

É preciso primeiro descobrir o que provocou aquela alteração.

Quando a situação pode ser urgente?

Dor abdominal muito forte, principalmente quando piora em pouco tempo, merece avaliação médica.

Alguns sinais reforçam essa necessidade:

  • Febre;
  • Barriga muito dolorida ou rígida;
  • Vômitos repetidos;
  • Desmaio;
  • Confusão;
  • Queda da pressão;
  • Dificuldade para eliminar fezes ou gases;
  • Piora acentuada do estado geral.

Quem tem cirrose acompanhada de ascite também precisa ficar atento.

Uma infecção do líquido abdominal pode se apresentar com dor e febre, mas alguns pacientes mostram apenas piora clínica ou alterações pouco específicas.

Na presença de algum desses sinais, recomenda-se buscar um gastroenterologista especializado para avaliar, diagnosticar e tratar.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Onde fica o peritônio no corpo humano?

O peritônio ocupa boa parte da região interna do abdômen e segue até a pelve. Uma camada acompanha a parede abdominal e outra recobre a superfície de vários órgãos.

02

Líquido no peritônio significa que a pessoa tem ascite?

Depende da quantidade e da situação em que o exame foi realizado. Pequenos volumes podem aparecer sem representar ascite significativa. Quando há acúmulo maior, o médico investiga causas como cirrose, câncer, infecção ou problemas cardíacos.

03

Nódulos peritoneais sempre indicam câncer?

Não. Um nódulo ou espessamento pode ter causas diferentes. O aspecto da imagem, a história do paciente e exames complementares ajudam a definir se existe suspeita de doença tumoral, inflamatória ou infecciosa.

04

Uma cirurgia abdominal pode causar problema no peritônio anos depois?

Pode. A cicatrização interna após uma operação pode formar aderências. Muitas não causam qualquer incômodo, mas algumas podem estar relacionadas à dor ou, em casos mais raros, à obstrução intestinal.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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