Hérnia de hiato
Refluxo, Esofagite e Câncer de Esôfago

Hérnia de hiato: sintomas, tipos e quando precisa operar

Veja como a hérnia aparece, quais sinais pode causar e em que situações a cirurgia entra em cena.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
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Quando alguém pesquisa por hérnia de hiato sintomas, quase sempre existe uma dúvida por trás: aquela azia que insiste em voltar tem ligação com a hérnia? E a sensação de comida subindo? Ou aquela pressão no peito depois de comer?

Pode haver relação, mas nem todo mundo que tem hérnia de hiato sente alguma coisa.

O problema aparece quando uma parte do estômago passa por uma abertura do diafragma e sobe um pouco em direção ao tórax.

Em alguns casos, essa mudança é pequena e descoberta por acaso em uma endoscopia, já em outros, a hérnia é maior e começa a atrapalhar a alimentação, o sono ou a rotina.

Também não é verdade que receber esse diagnóstico significa precisar de cirurgia.

Para muitos pacientes, o tratamento é voltado apenas para os sintomas, e a operação é indicada para situações específicas.

O que acontece quando surge uma hérnia de hiato?

O esôfago desce pelo tórax e precisa atravessar o diafragma antes de chegar ao estômago. Ele passa por uma abertura natural chamada hiato esofágico.

O estômago deveria permanecer abaixo dessa região.

Na hérnia de hiato, uma parte dele atravessa essa abertura e sobe. É como se o estômago avançasse para um espaço que normalmente não deveria ocupar.

Esse movimento pode ser pequeno.

Há pessoas que fazem uma endoscopia por causa de outra queixa e recebem no laudo a informação de uma pequena hérnia de hiato. Muitas nunca desconfiaram que tinham o problema.

É justamente aí que surge uma preocupação comum: Se apareceu no exame, preciso tratar? Nem sempre.

O médico avalia se há sintomas, qual é o tamanho da hérnia e se existem sinais de refluxo ou outras alterações.

Existem tipos diferentes de hérnia de hiato?

Sim. E entender essa diferença ajuda a compreender por que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber orientações bem distintas.

Os tipos mais conhecidos são a hérnia por deslizamento e a hérnia paraesofágica.

Hérnia por deslizamento

É a forma encontrada com maior frequência.

A região em que o esôfago se junta ao estômago sobe pelo hiato junto com uma parte do estômago.

Mas esse deslocamento pode variar, e a posição nem sempre permanece exatamente igual o tempo todo.

A hérnia por deslizamento aparece bastante em pessoas com refluxo gastroesofágico, mas não quer dizer que todo paciente apresente queimação ou regurgitação.

Uma hérnia pequena pode existir sem incomodar.

Hérnia paraesofágica

Aqui, a anatomia é um pouco diferente.

Uma parte do estômago sobe e fica ao lado do esôfago. Quando a hérnia cresce, uma quantidade maior do estômago pode ocupar espaço dentro do tórax.

Nem sempre a azia chama mais atenção nesses casos.

A pessoa pode dizer que começou a comer menos porque fica cheia muito rápido, que sente pressão depois das refeições ou que não consegue terminar um prato que antes comeria normalmente.

Também podem surgir:

  • Desconforto no peito;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sensação de alimento parado;
  • Dor na região superior do abdômen;
  • Falta de ar em hérnias maiores;
  • Enjoo depois de comer.

Hérnias paraesofágicas maiores precisam ser avaliadas com cuidado, principalmente quando começam a causar sintomas.

Hérnia de hiato sintomas: quais sinais podem aparecer?

Não existe uma lista de sintomas que sirva para todas as pessoas.

Uma hérnia pequena pode não dar sinal nenhum. Já outra pessoa pode procurar atendimento justamente por causa de uma queimação que aparece quase todos os dias.

Entre as queixas possíveis, vale destacar:

  • Azia;
  • Ardência no peito;
  • Alimento ou líquido voltando para a garganta;
  • Gosto ácido na boca;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sensação de comida presa;
  • Desconforto depois das refeições;
  • Arrotos frequentes;
  • Sensação de estômago cheio rapidamente;
  • Piora do refluxo ao se deitar.

Também existe quem sinta dor no peito.

Nesse ponto, vale ter cuidado, pois nem toda dor nessa região vem do estômago ou da hérnia. Coração, pulmões e músculos também podem causar dor parecida.

Se há dor for forte, diferente do habitual ou vier acompanhada de falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar, não é indicado tentar descobrir a causa em casa.

Hérnia de hiato e refluxo são a mesma doença?

Não.

É fácil confundir porque os dois problemas aparecem juntos com frequência.

No refluxo, o incômodo aparece quando o que está no estômago sobe para o esôfago. A pessoa pode perceber ardor no peito, azia, gosto amargo na boca ou até sentir que a comida voltou depois de comer.

A hérnia de hiato é uma mudança na posição do estômago.

Quando essa região muda de lugar, o mecanismo que ajuda a segurar o conteúdo do estômago pode perder eficiência, e o refluxo encontra um caminho mais fácil.

Só que uma coisa não depende obrigatoriamente da outra.

Uma pessoa pode ter refluxo sem hérnia, enquanto outra pode apresentar uma hérnia pequena e nunca ter azia.

Por isso, ver “hérnia de hiato” escrito na endoscopia não basta para dizer que ela explica todos os sintomas.

Por que algumas pessoas sentem mais queimação quando deitam?

Essa reclamação é muito comum.

Durante o dia, como a pessoa fica a maior parte do tempo sentada ou em pé, isso ajuda a manter o conteúdo do estômago mais abaixo.

Na hora de dormir, isso muda.

Se o jantar foi pesado ou aconteceu pouco antes de deitar, o refluxo pode aparecer com mais facilidade.

Alguns pacientes descrevem que acordam no meio da noite com gosto azedo na boca. Outros sentem ardência, tosse ou precisam se sentar para aliviar o desconforto.

Quando esse quadro se repete, vale conversar com o médico. Nem sempre o problema é apenas a hérnia, e talvez seja necessário investigar melhor o refluxo.

Como saber se a hérnia realmente está causando os sintomas?

O laudo do exame conta apenas uma parte da história.

Antes de decidir qualquer tratamento, o médico precisa entender o que está acontecendo fora do consultório:

  1. A queimação aparece todos os dias ou só depois de refeições grandes?
  2. Existe dificuldade para engolir?
  3. A pessoa acorda com refluxo?
  4. Sente que fica satisfeita depois de poucas garfadas?
  5. Perdeu peso sem querer?

Essas respostas ajudam muito.

A endoscopia digestiva alta pode mostrar a hérnia e avaliar se o esôfago apresenta inflamação ou outras alterações.

Dependendo da dúvida, outros exames podem entrar na investigação.

  • A pHmetria é usada para estudar episódios de refluxo;
  • A manometria avalia como o esôfago trabalha durante a deglutição;
  • Exames contrastados conseguem mostrar a passagem do alimento e a posição do estômago.

Nem todo paciente precisa fazer esse conjunto inteiro.

Uma pessoa com uma hérnia pequena e poucas queixas provavelmente terá uma avaliação diferente de alguém que mal consegue terminar uma refeição.

Remédio faz a hérnia desaparecer?

Não.

Essa é uma dúvida importante porque muitas pessoas tomam medicamentos, melhoram e imaginam que a hérnia foi corrigida.

O remédio pode reduzir os sintomas ligados ao refluxo, porém, a anatomia da hérnia continua ali.

Quando existe muita acidez, podem ser utilizados medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago.

Os inibidores da bomba de prótons são bastante conhecidos. Omeprazol, pantoprazol e esomeprazol fazem parte desse grupo.

A indicação não deve ser feita apenas porque alguém da família tomou e se sentiu melhor.

A dose, o horário e o tempo de tratamento mudam conforme o caso.

Também merece atenção quem usa o medicamento há bastante tempo, continua com queimação e passa a aumentar a dose sozinho.

Nesse cenário, o melhor caminho é rever o diagnóstico e descobrir por que o sintoma permanece.

Precisa cortar café, chocolate e outros alimentos?

Não existe uma dieta única para quem tem hérnia de hiato. O mais útil é observar o que realmente acontece depois de comer.

Se a pessoa toma café e não sente nada, retirar a bebida da rotina sem motivo talvez não traga benefício.

Mas se percebe que toda vez que bebe café a queimação piora, aí faz sentido reduzir e observar a resposta.

O mesmo raciocínio vale para chocolate, frituras, bebidas alcoólicas, alimentos muito gordurosos e comidas apimentadas.

Alguns cuidados simples também podem ajudar:

  • Comer porções menores quando pratos grandes pioram o desconforto;
  • Evitar deitar logo depois da refeição;
  • Não fazer uma refeição muito pesada antes de dormir;
  • Controlar o peso quando existe excesso;
  • Evitar o cigarro;
  • Observar quais hábitos desencadeiam refluxo.

Essas medidas não fecham a hérnia. Elas podem tornar os sintomas bem mais toleráveis.

Hérnia de hiato tem cura?

Depende do que se entende por cura.

O refluxo e a queimação podem ficar muito bem controlados com tratamento clínico.

A hérnia, por ser uma alteração anatômica, não desaparece porque a pessoa tomou remédio ou mudou a alimentação.

E isso nem sempre é um problema.

Muita gente passa anos convivendo com uma hérnia pequena sem precisar fazer nada além do acompanhamento.

O objetivo não é operar todo mundo que apresenta essa alteração, e sim tratar quem realmente precisa.

Quando a hérnia de hiato precisa operar?

Essa talvez seja a pergunta que mais preocupa depois do diagnóstico.

A presença da hérnia, sozinha, não define uma cirurgia.

Se ela é pequena e não causa sintomas importantes, muitas vezes não há motivo para operar.

A conversa sobre cirurgia ganha espaço quando o paciente continua sofrendo mesmo com um tratamento bem conduzido ou quando a própria anatomia da hérnia cria algum risco.

Algumas situações que podem levar o médico a discutir a operação são:

  • Refluxo importante e persistente;
  • Sintomas que atrapalham muito a alimentação;
  • Dificuldade relevante para engolir;
  • Inflamação mais intensa do esôfago;
  • Estreitamento do esôfago;
  • Hérnia paraesofágica acompanhada de sintomas;
  • Hérnia muito volumosa;
  • Sangramento associado à hérnia;
  • Sinais de obstrução;
  • Torção do estômago.

Antes de indicar uma cirurgia, o médico também olha para o paciente como um todo.

A idade, outras doenças que ele possa ter e a forma como o organismo está naquele momento ajudam a mostrar se o procedimento pode ser feito com segurança.

Não se trata apenas de olhar o tamanho da hérnia e escolher operar ou não.

Como é feita a cirurgia?

Na cirurgia, o cirurgião reposiciona o estômago e fecha o hiato de acordo com a necessidade.

Muitas vezes, o procedimento é feito por videolaparoscopia, com pequenos cortes no abdômen.

Pode ser feita também uma cirurgia antirrefluxo.

A fundoplicatura é uma das técnicas conhecidas. Uma parte do estômago é utilizada para reforçar a região de transição com o esôfago e dificultar a volta do conteúdo gástrico.

A técnica escolhida não é igual para todos os pacientes.

O tipo de hérnia, o funcionamento do esôfago e a presença de refluxo entram nessa decisão.

Toda hérnia paraesofágica acaba em cirurgia?

Não obrigatoriamente.

Quando a hérnia começa a trazer prejuízo para o dia a dia, como dor, dificuldade para se alimentar, anemia ou falta de ar, a cirurgia pode passar a ser considerada com mais atenção.

Se a pessoa não apresenta sintomas, a decisão exige mais cuidado. Não basta olhar apenas para a presença da hérnia.

O médico também leva em conta o tamanho da alteração, outras doenças que o paciente tenha e a chance de esse problema causar complicações no futuro.

A idade e as condições gerais de saúde também pesam nessa escolha.

Um paciente jovem e sem outras doenças pode receber uma orientação diferente de uma pessoa mais idosa, com outros problemas de saúde e que não sente nenhum incômodo.

Quando não é bom esperar uma consulta de rotina?

A maior parte das hérnias não causa uma urgência.

Alguns sinais pedem avaliação mais rápida, como:

  • Dor forte e súbita no peito ou no abdômen;
  • Vômitos que não param;
  • Dificuldade intensa e repentina para engolir;
  • Incapacidade de manter líquidos;
  • Sangue no vômito;
  • Fezes muito escuras;
  • Falta de ar importante;
  • Piora rápida de sintomas que estavam controlados.

Esses sinais podem ter outras causas, não apenas a hérnia.

O importante é não ignorá-los.

Quem tem hérnia de hiato consegue viver normalmente?

Na maioria dos casos, sim.

Muitas pessoas descobrem uma pequena hérnia, controlam o refluxo quando ele existe e seguem a rotina sem grandes limitações.

Ter a hérnia não significa ficar condenado a remédios para sempre nem precisar operar algum dia.

O acompanhamento serve para perceber se o quadro mudou.

Se começar a aparecer dificuldade para engolir, piora importante da queimação, perda de peso ou dificuldade para comer, é hora de uma nova avaliação.

O diagnóstico precisa fazer sentido junto com aquilo que a pessoa sente. Um laudo isolado nunca conta toda a história.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Hérnia de hiato sintomas podem aparecer só à noite?

Sim. Algumas pessoas sentem mais refluxo e queimação quando se deitam, principalmente depois de refeições próximas ao horário de dormir.

02

Hérnia de hiato pode causar sensação de comida presa?

Pode. Dificuldade para engolir ou sensação de alimento parado pode aparecer em alguns casos. Se isso acontece com frequência, merece investigação.

03

Quem tem hérnia de hiato pode fazer exercício?

Na maioria das vezes, sim. A orientação pode mudar quando certos exercícios provocam dor, refluxo intenso ou quando existe uma hérnia grande.

04

Hérnia de hiato pode aumentar?

Pode haver mudança de tamanho ao longo do tempo, mas isso não acontece da mesma maneira com todas as pessoas. Sintomas e exames ajudam a orientar o acompanhamento.

05

A hérnia pode voltar depois da cirurgia?

Existe possibilidade de recorrência. O risco depende do tamanho da hérnia, da técnica empregada e de características individuais do paciente.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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