Em meus mais de 15 anos de prática como gastrocirurgião especializado em doenças pancreáticas em Goiânia, posso afirmar que o câncer de pâncreas representa um dos maiores desafios da gastroenterologia moderna.

Muitos dos meus pacientes chegam ao consultório sem suspeitar da gravidade do problema, e esse aspecto torna a conscientização fundamental.

O compromisso com informações de qualidade é uma ferramenta poderosa para ajudar pessoas a entenderem os fatores de risco, sintomas e possibilidades terapêuticas.

Entendendo o câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas surge quando células desse órgão sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma desordenada.

Há diferentes tipos, sendo o adenocarcinoma pancreático exócrino um dos mais frequentes.

Boa parte dos pacientes procura ajuda quando o tumor já se encontra em um estágio avançado, dificultando a remoção cirúrgica ou outras abordagens.

Minha rotina clínica demonstra que a evolução discreta dos sintomas agrava o desafio de diagnosticar precocemente.

A localização do tumor no pâncreas influencia bastante no quadro. Tumores localizados na cabeça do órgão costumam causar obstrução do ducto biliar, acarretando icterícia, o que chama a atenção do paciente.

Já quando o tumor se encontra no corpo ou na cauda, o surgimento de sintomas costuma ser mais tardio, dificultando o reconhecimento imediato.

Fatores de Risco

Determinados elementos aumentam a possibilidade de desenvolver câncer de pâncreas, tais como:

  • Tabagismo, já que o hábito de fumar representa uma agressão contínua que favorece alterações celulares.
  • Histórico familiar também se destaca, pois há síndromes genéticas que podem elevar a propensão a diversos tipos de câncer, incluindo o pancreático.
  • O excesso de peso somado a uma dieta rica em gorduras e pobre em fibras também surge com frequência em relatos de pacientes diagnosticados.
  • Doenças crônicas, como diabetes de longa data, aparecem como um complicador que merece atenção.

Principais sintomas

Entre os principais sintomas do câncer de pâncreas, destaco:

  • Perda de peso sem causa aparente e mudanças no apetite.
  • Cor amarelada da pele e dos olhos (icterícia) pode aparecer quando há comprometimento das vias biliares, gerando também urina escura e fezes mais claras.
  • Dor abdominal que se irradia para as costas, muitas vezes confundida com desconfortos gastrointestinais rotineiros.
  • Fadiga persistente e a fraqueza geral.

Quando os sintomas persistem ou se intensificam, a busca por avaliação especializada se torna fundamental.

Em casos onde a icterícia se instala, há risco de complicações associadas, ressaltando a importância de uma abordagem médica imediata.

Cada queixa do paciente deve ser analisada com cuidado para direcionar os exames necessários.

Diagnóstico e exames Importantes

Uma vez que há suspeita de câncer de pâncreas, investigo inicialmente investiga-se a história clínica e um exame físico detalhado é feito.

Procedimentos como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética ajudam a avaliar o estado do pâncreas e demais estruturas abdominais.

Além disso, a endoscopia digestiva alta, associada à ultrassonografia endoscópica, possibilita verificar a presença de lesões e coletar amostras para biópsia.

Nos casos em que busco definir o tipo de tumor e planejar o tratamento, a biópsia é a ferramenta que fornece dados mais concretos.

Exames de sangue para checar marcadores tumorais como o CA 19-9 podem complementar a investigação, embora não sejam definitivos para fechar o diagnóstico.

A união dessas informações serve como base para a tomada de decisões sobre o plano terapêutico.

Opções de tratamento

O tratamento varia de acordo com o estágio em que a doença é identificada, local de acometimento e condições gerais do paciente.

A cirurgia pode ser indicada quando o tumor se encontra restrito ao pâncreas e não compromete vasos importantes.

Entre os procedimentos cirúrgicos, a duodenopancreatectomia (procedimento de Whipple) é aplicada para tumores na cabeça do pâncreas. Já para lesões em outras regiões, a pancreatectomia distal ou total pode ser a alternativa.

A quimioterapia e a radioterapia costumam ser empregados como tratamentos complementares ou paliativos, visando inibir a progressão tumoral.

O acompanhamento multidisciplinar, com nutricionistas e psicólogos, oferece uma base mais sólida para lidar com as demandas clínicas e emocionais que surgem ao longo do processo.

Cada plano terapêutico é individualizado, contemplando fatores como idade, presença de doenças associadas e resposta do organismo à terapia proposta.

Prevenção e cuidados gerais

O cuidado com hábitos diários é uma recomendação recorrente:

  1. Manter uma rotina de exercícios físicos.
  2. Evitar o cigarro.
  3. Priorizar uma dieta balanceada, rica em frutas, legumes e cereais integrais.
  4. Controlar o consumo de bebidas alcoólicas.
  5. A realização de exames periódicos é valiosa para identificar qualquer alteração inicial, sobretudo em pessoas com histórico familiar relevante ou fatores de risco adicionais.

Por outro lado, ninguém está isento de surpresas, então recomendo atenção aos sinais do corpo.

A busca por ajuda especializada em casos de perda de peso repentina, dores persistentes ou icterícia pode fazer a diferença.

A observação criteriosa de sintomas, aliada à prevenção, tem potencial para modificar significativamente a evolução do quadro.

Conclusão

O câncer de pâncreas não precisa significar ausência de esperança. Em meu dia a dia, testemunho histórias de superação e melhorias notáveis com diagnósticos realizados em tempo oportuno e tratamento direcionado.

A cooperação entre equipe médica e paciente é um fator-chave, pois essa doença requer comprometimento constante.

Cada indivíduo reage de modo particular, então a abordagem deve ser adaptada às necessidades específicas.

Incentivo a realização de check-ups frequentes e a prática de atividades físicas, visto que manter uma boa condição geral do organismo favorece a resposta aos tratamentos.

Se você ou alguém próximo apresenta sinais suspeitos, procure um gastroenterologista para avaliação detalhada.

Essa atitude pode oferecer possibilidades mais eficazes de controle e tratamento!

Imagens: Créditos Pexels

Dr. Thiago Tredicci, Gastroenterologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo. Experiente em cirurgia geral. CRM GO 12828, RQE 8168 e 8626.